Cancro suprarrenal

O cancro do córtex suprarrenal é uma neoplasia pouco frequente com uma incidência de 0,5-2 casos/milhão de habitantes/ano. É um tipo de cancro mais frequente nas mulheres.

 

O que são as glândulas suprarrenais?

As glândulas suprarrenais estão localizadas no polo superior de cada rim. Produzem hormonas imprescindíveis à vida, incluindo hormonas sexuais e cortisol que ajuda na resposta a situações de stress.

Os tumores também podem causar transtornos das glândulas suprarrenais.

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Tumores ou massas ad-renais

Os tumores unilaterais da glândula suprarrenal são comuns. Classificam-se em função da sua atividade, funcionais ou silenciosos, ou caráter, benignos ou malignos.

A maioria destes tumores são adenomas benignos não funcionais que se descobrem incidentalmente em estudos imagiológicos ao abdómen (incidentalomas).

Outros tumores são adenomas benignos secretores de hormonas que causam a Síndrome de Cushing, hiperaldosteronismo primário ou, com menos frequência, virilização.

Os carcinomas do córtex suprarrenal são tumores raros, muitas vezes agressivos, que podem ser funcionais e causar a Síndrome de Cushing e/ou virilização. Estes tumores identificam-se através do aparecimento de massas abdominais ou através de uma identificação incidental.

Os tumores feocromocitomas são secretores de catecolaminas que surgem das células cromafins da medula ad-renal. Podem ser benignos ou malignos.

 

Incidentalomas:

A maioria dos tumores suprarrenais é descoberta incidentalmente através de provas imagiológicas à zona abdominal. Uma certa quantidade dos incidentalomas (até 15% do total) podem ser funcionais, segregando a maioria destes pequenas quantidades de cortisol que provocam a Síndrome de Cushing subclínico. Muitos pacientes carecem dos estigmas habituais da Síndrome de Cushing mas podem sofrer um ou mais efeitos da segregação de cortisol-ACTH como hipertensão, diabetes ou fraturas vertebrais.

Características clínicas:

Aproximadamente 10% dos casos de Síndrome de Cushing devem-se a adenomas suprarrenais. As manifestações clínicas desta síndrome são as seguintes:

  • Aumento de volume na cara, pescoço, costas ou ventre.
  • Pele fina que se rasga com facilidade.
  • Aparecimento de estrias vermelhas.
  • Nas mulheres, períodos menstruais ausentes ou irregulares.
  • Crescimento de pelo em zonas atípicas, acne ou pele oleosa.
  • Debilidade muscular nos braços ou pernas, por exemplo, podem ter dificuldade para se levantar de uma cadeira.
  • Osteoporose, maior fragilidade óssea, maior risco de fraturas.
  • Aparecimento de diabetes ou predisposição para a intolerância à glucose.
  • Problemas de tensão arterial e maior tendência para doenças cardiovasculares.
  • Alterações do estado de espírito (depressão, preocupação, ira, etc.).
  • Aumento do risco de infeções.
  • Aumento do risco de formação de trombos venosos.

 

Tratamento:

  • Todos os pacientes com feocromocitoma devem submeter-se a uma intervenção cirúrgica já que esta patologia quando não é tratada pode resultar em complicações cardiovasculares.
  • O carcinoma suprarrenal é um tumor raro mas pode, com alguma frequência, ser agressivo. A extirpação completa mediante intervenção cirúrgica é o único tratamento potencialmente curativo para este tumor do córtex suprarrenal. Antes de se submeterem à cirurgia, todos os pacientes devem realizar um estudo hormonal para avaliar a atividade secretora do tumor e identificar quais os tumores produtores de cortisol. A cirurgia deve ser feita num centro especializado de referência que tenha nos seus quadros equipas de cirurgiões com experiência, para evitar que a extirpação do tumor seja parcial ou incompleta assim como para evitar complicações associadas a um mau prognóstico. Recomenda-se o uso de mitotano como elemento adjuvante à cirurgia, só ou combinado com outros agentes citotóxicos, tendo-se usado como tratamento primário no caso de tumores não extirpáveis, como tratamento pós-cirúrgico ou como tratamento no caso de reincidências.
  • No caso de pacientes com adenomas secretores de aldosterona deve ser-lhes oferecida como opção de cura uma intervenção cirúrgica para tratar a produção excessiva desta hormona.

 

No caso de se detetarem incidentalomas que mediante a avaliação das provas imagiológicas apresentem uma aparência benigna e sejam inferiores a 4 cm recomenda-se o seguimento da evolução destes tumores mediante exames imagiológicos 6 meses após a primeira deteção para reavaliar a possibilidade de malignidade.

O que é o Cancro suprarrenal?

Os carcinomas suprarrenais ocorrem quando as células normais que formam as glândulas ad-renais se transformam em células anormais que crescem e atuam de forma descontrolada. As glândulas suprarrenais são pequenos órgãos situados na zona superior de cada rim.

Quais são os sintomas do Cancro suprarrenal?

Algumas pessoas com carcinoma suprarrenal não apresentam sintomas e a patologia é descoberta através de provas imagiológicas realizadas por outras razões.

Quando as massas ad-renais causam sintomas, fazem-no de diferentes maneiras em função do aumento das hormonas que produzam, podendo causar aumento de peso, debilidade muscular, dificuldade para dormir, voz profunda e crescimento de pelos (fundamentalmente na cara e nas mulheres). Outros sintomas não dependem das hormonas segregadas e podem ser dor abdominal, perda de peso e apetite.

Existe algum exame médico para detetar o Cancro ad-renal?

Sim, existe. Os exames médicos para diagnosticar o Cancro ad-renal geralmente incluem:

  • Análises ao sangue e urina para medir os níveis de diferentes hormonas.
  • Provas imagiológicas como por exemplo Tomografia Axial Computorizada (TAC) ou Ressonância Magnética (RMN).

O que é o estadiamento de um cancro?

O estadiamento de um cancro é uma forma de classificação médica para saber se esse cancro se disseminou a outros tecidos diferentes daquele onde se iniciou. O tratamento dependerá do estadiamento.

Como se trata o Cancro ad-renal?

A maioria das pessoas com carcinoma ad-renal é tratada mediante intervenção cirúrgica para extirpar o tumor.

Depois da cirurgia os pacientes podem receber outros tratamentos para destruir as células cancerosas: quimioterapia e/ou radioterapia.